R$ 30 mil em um celular?
A decisão está acontecendo antes do clique.
Esta semana, cinco movimentos diferentes apontam para uma mesma mudança: o espaço onde marcas disputam atenção e valor está se deslocando.
Primeiro veio a busca. Depois, o clique. Depois, a comparação. Agora, parte da decisão começa dentro da própria interface, antes de alguém chegar ao site, abrir uma página ou falar com um vendedor.
Seu cliente pode não clicar.

A Exame, usando dados da Similarweb, registrou forte crescimento nas respostas do ChatGPT que continham anúncios no Brasil: de pouco mais de 80 para mais de 27,7 mil em cerca de três semanas.
O número importa, mas a mudança mais interessante está em outro lugar. Durante anos, a lógica digital foi construída em torno de levar pessoas até uma propriedade da empresa: site, landing page, marketplace, loja. A resposta da IA começa a criar uma camada anterior.
O consumidor pode fazer uma pergunta, receber uma comparação, conhecer alternativas e formar uma preferência antes de visitar qualquer página.
Isso não significa que o clique deixou de importar. Significa que existe um novo momento para conquistar confiança.
Para uma empresa, isso muda o que significa estar presente digitalmente. Catálogo, descrição de produtos, reputação, diferenciais, perguntas frequentes, políticas e conteúdo precisam ser claros o suficiente para serem interpretados por sistemas que ajudam o usuário a decidir.
Ser encontrado continua importante. Ser compreendido começa a ser estratégico.
Fonte: Exame
A IA começou a fazer.

A Meta apresentou o Muse como um agente pessoal capaz de realizar tarefas por meio de aplicativos e da web, incluindo enviar e-mails, reservar viagens, preencher formulários e fazer compras.
Até aqui, grande parte da experiência com IA foi construída em torno de uma sequência simples: você pergunta, a IA responde. O avanço dos agentes introduz outra lógica: você pede, o sistema executa.
Quando a IA passa a agir, processos digitais deixam de ser desenhados apenas para serem fáceis para uma pessoa. Eles também precisam ser estruturados para que uma ação possa ser executada com regras, dados, permissões e validações claras.
Pense em uma operação comercial. Um lead chega. Alguém precisa identificar o perfil, registrar no CRM, consultar disponibilidade, enviar uma resposta, agendar uma reunião e atualizar o status. Em um ambiente de agentes, tarefas repetitivas e previsíveis podem ser encadeadas.
Qual processo deveria deixar de depender de trabalho manual?
Fonte: Meta
R$ 30 mil em um celular?

A Apple entrou na categoria dos smartphones dobráveis com o iPhone Duo. Mas o ponto estratégico do movimento não é apenas o produto.
Dobráveis já existiam. A categoria já havia sido educada por outros fabricantes. O consumidor já conhecia a tecnologia e já tinha referências de preço, formato e uso.
Então, o que a Apple precisava construir?
Não precisava convencer o mercado de que um celular pode dobrar. Precisava criar uma razão para aquela versão ser percebida como desejável e, consequentemente, justificar uma disposição maior a pagar.
É aí que entram marca, design, ecossistema, experiência, status e narrativa.
Dois produtos podem resolver uma necessidade semelhante e ainda assim ocupar posições completamente diferentes na cabeça do consumidor.
Preço não começa na etiqueta.
Antes do preço existe valor percebido. Antes do valor percebido existe significado. E antes do significado existe posicionamento.
Se o concorrente oferece algo parecido, o que faz a sua oferta significar outra coisa?
Fonte: Apple
A Novo mudou de nome.
Novo NordiskNovo
A Novo Nordisk passou a adotar “Novo” como marca de uso diário e apresentou uma nova narrativa corporativa.
Uma mudança de nome parece, à primeira vista, uma decisão de identidade. Mas existe uma dimensão comercial menos óbvia: reconhecimento.
Quanto esforço uma pessoa precisa fazer para lembrar, pronunciar, localizar e associar uma marca àquilo que ela oferece?
Em mercados competitivos, reduzir esse esforço pode ser estratégico.
Isso vale muito além de grandes corporações. Um negócio local, uma empresa B2B ou um profissional também disputa memória. Se o mercado entende sua empresa como “mais uma empresa que faz X”, a comunicação pode até gerar atenção sem construir preferência.
Reconhecimento também é ativo de negócio.
Fonte: Novo Nordisk
Crescer não é só conquistar mais clientes.

O Kantar BrandZ Brasil 2026 colocou seis novas marcas no Top 50:
- iFood
- Smart Fit
- Inter
- Stone
- Mateus
- Vivara
O dado chama atenção pelo tamanho das marcas, mas existe uma leitura mais útil para quem está fora desse ranking.
Crescimento não precisa acontecer apenas pela conquista de novas pessoas. Uma marca também pode crescer quando passa a participar de mais momentos da vida de quem já a conhece.
Uma academia pode ampliar serviços. Um restaurante pode criar novas ocasiões de consumo. Uma clínica pode ocupar etapas diferentes da jornada. Uma empresa B2B pode transformar uma relação pontual em uma plataforma de serviços recorrentes.
A pergunta muda de “como consigo mais clientes?” para “em quais outros momentos eu poderia ser relevante para quem já confia em mim?”.
Mais frequência não é mais exposição.
É mais motivo para ser lembrado.
Fonte: Kantar BrandZ Brasil 2026
O espaço disputado está mudando.
Na resposta.
Na execução.
Na percepção.
Na rotina.
No espaço mental.
É aí que posicionamento deixa de ser apenas comunicação. É sobre qual lugar sua empresa ocupa quando a decisão acontece.
Continue a conversa.
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